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Tragédia na Madeira

Mau tempo na Madeira Tragedia Fotos
Madeirense, limpa as tuas lágrimas.


Caros, mensagem de última hora para vos dar conta dos recentes acontecimentos relacionados com o mau tempo na Madeira.

Não vos vou maçar com muitas imagens verbais sobre aquilo que vão vendo e ouvindo nos media. Está tudo de facto muito feio. Estradas inundadas, casas, carros, muros e pontes destruídas e, neste momento um triste balanço de 32 vítimas mortais confirmadas.

Para quem conhece, o piso do Pingo Doce do Anadia ficou totalmente submerso. O do Pingo Doce no Dolce Vita também. A ribeira entre a 31 de Janeiro e a 5 de Outubro transbordou (!) e a maioria das lojas de primeiro andar na baixa do Funchal estão alagadas. Na Tabua, Ribeira Brava é o caos, e em geral, nas principais artérias do centro do Funchal não se consegue distinguir o que é estrada e o que é ribeira.

Telefones, telemoveis e luz foram abaixo, mais as fugas de gás. O Curral das Freiras esteve completamente isolado. A zona da Pena parece uma barragem a ser descarregada. A Madeira é toda montanha mar. E a água segue esse caminho. O caminho mais fácil.
Muita coisa destruída e muito por pensar. Já chegaram mensagens de apoio e de ajuda de várias partes e eu, como humilde cidadão madeirense, só tenho que agradecer a preocupação.

O tempo vai estando menos mau, é tempo de prudência e de acção. Comigo e com a minha família está tudo bem. Obrigado novamente.

Hoje vim trabalhar, havia água dentro do carro, ele soluçava nas mudanças, não via mais de 5 metros à minha frente mas tudo está bem. Informaram-me no entanto que a estrada que tomei estava interrompida neste momento, que tinham havido derrocadas e que 4 carros tinham sido soprados para a ribeira.

De resto é esperar. Esperar que a Natureza siga o seu rumo e tentar aprender com ela. Colaborar com ela e não estar contra ela. Castanho no chão e branco no ar. São com estas cores que a Mãe Natureza pinta a Madeira neste momento. Há de escolher outras cores. É esperar.

Neste momento a ilha da Madeira chora. E as lágrimas vêm castanhas e com muita força.

Desejem-me um bom regresso a casa.

Escrever ajuda.

Escrita Infância Ajuda Ser Novo Criança
Este post é de ler, não de ver.


Quando eu era mais novo, aqui há... Um ror de tempo... Quando eu era mais novo... Passas-me o chá?

Queria ser arquitecto-jornalistó-futebolista. Queria aparecer no televisor.

A minha avó a fazer o jantar e eu do outro lado do vidro a dizer-lhe: "Boa noite! O Futebol Clube do Porto acaba de escrever mais uma página brilhante na História do seu futebol! Voltou a ser campeão do mundo!". Ou um outro qualquer cliché, mesmo que ela não percebesse nada sobre o mundo da redondinha.

Nunca vi mulher tão devota. Ao seu deus e a um certo jogador. Para ela havia um só, uma só referência: João Pinto. Mas, o do Benfica, naquela altura. Vá que no Fê Quê Pê também havia um, mas esse era defesa, marcava muito menos golos e tinha mais jeito no falar. Não interessa, fosse na Selecção, no Chaves, no Tirsense ou no Farense, quando havia golo, a sua reacção era perguntar se tinha sido do João Pinto. O do Benfica.

Mas depois eu, do outro lado do vidro, ou não, dizia-lhe que tinha sido outro jogador de bola. Um qualquer. Então aí ela voltava às batatas e às coivinhas.

Quando eu era mais novo, um pequeno, eu não era pequeno, era grande. O meu mundo era pequeno mas eu era grande. Afinal ia ser arquitecto-jornalistó-futebolista e isso não era para um qualquer Abílio, Rufino ou Cristiano.

Eu era Victor. Com "V" grande. Não é um nome qualquer. O meu avô está no hospital e eu ando aqui a pensar no Victor. Mas ele está bem, é só uma perna. Hoje vou visita-lo.

Fico-me com o arquitecto-mais-qualquer-coisa. Ou só então pelo mais-qualquer-coisa. Mas isso também não é mau. Poderei ser um empresário de muito sucesso. Ou não. Já não me interesso pelo tele-visor e já não sou criança. E isso significa que perdi as minhas certezas.

E agora, agora não me ocorre nada mais sobre a infância. Agora penso em mulheres: miúdas e gajas. Isso é tema para outra conversa.

E, quando eu era mais novo, não escrevia assim.